A CANÇÃO DA PÉROLA - (Antigo Mito Gnóstico).

Clique aqui para comentar esta publicação


O Hino da Pérola (também chamado de Hino da Alma, Hino da Veste de Glória ou Hino de Judas Tomé Apóstolo) é uma passagem do apócrifo Atos de Tomé. Nesta obra, originalmente escrita em siríaco, o Apóstolo Tomé canta o hino enquanto reza para si e para seus companheiros de prisão. Alguns estudiosos acreditam que o Hino é anterior aos Atos, pois ele só aparece em um manuscrito siríaco e em outro grego dos Atos. O autor do Hino é desconhecido, embora acredite-se que ele foi composto pelo gnóstico sírio Bardesanes por causa de alguns paralelos entre sua vida e a do Hino .
O Hino
O hino conta a história de um rapaz, "filho do rei dos reis", que é enviado ao Egito para recuperar uma pérola de uma Serpente. Durante esta missão, ela é seduzida pelos antigos egípcios e esquece a sua origem e sua família. Entretanto, uma carta enviada pelo rei dos reis para ele lembrando-o de seu passado. Quando o garoto recebe a carta, ele se lembra de sua missão, recupera a pérola e retorna. O fato de o garoto ser implicitamente Tomé ao invés de Jesus é indicado por eventuais assertivas que ele é o próximo na linhagem do seu irmão mais velho, este não sendo mencionado no texto.
A CANÇÃO DA PÉROLA - (Mito Gnóstico).

"Os antigos gnósticos transmitiram esta ideia em lendas como ‘A Canção da Pérola’, mas eles foram exterminados por causa disso."
J.L. (C.R.O.M.)


“Quando era criança e vivia no reino de meus pais e usufruía da riqueza e de o esplendor daqueles que me criaram, meus pais decidiram me incumbiram de uma jornada, longe do nosso lar no Oriente. Eles, porém, não me enviaram sem provisões, pois me prepararam um suprimento da abundância de seus tesouros; a bagagem continha ouro, prata, calcedônia e opalina. Além disso, cingiram-me com Adamas, um metal tão duro que tritura o ferro. Grande era a carga dessas provisões, mas também era leve, de modo que pudesse carregá-la sozinho”.
“Minha esplêndida veste de glória, que com amor haviam tecido para mim, eles a retiraram de meus ombros, como o manto púrpuro que me servia com perfeição. E em meu coração gravaram um acordo real para que jamais o esquecesse, onde declaravam: ‘Se desceres ao Egito (*) e nos trazeres a Pérola Única, que repousa no fundo do mar, guardada pela serpente tonitruante, então, quando voltares, receberás de novo tua veste de glória e teu manto real e, junto com teu irmão, nosso vice-rei, serás o herdeiro do nosso reino’.
(*) 'Egito': "Terra escura").
Deixei o Oriente, acompanhado por dois enviados reais que tinha ordem de me atender, porque era jovem e precisava de ajuda em jornada tão perigosa. E atravessamos várias terras entre o Oriente e a terra do Egito, até chegar à sua fronteira, onde os meus guardiões me deixaram.
Tendo chegado ao Egito, viajei a um lugar próximo do mar e do local onde sabia que a serpente vivia. E estabeleci-me numa estalagem para aguardar o momento em que a serpente adormecesse, e poder resgatar a pérola. Eu, porém era um estranho para os demais que moravam na estalagem. Mas, lá também encontrei alguém que me era familiar, agradável e descendente da realeza; dele recebi o conselho para me resguardar de os egípcios, por serem impuros. Disfarcei-me, então usando suas mesmas vestes, para não descobrirem ser eu um estrangeiro, tentando tomar a pérola, e pudessem atiçar a serpente contra mim.
No entanto, logo eles perceberam que não era seu compatriota. Simularam então amizade por mim e me persuadiram com lisonjas a beber de suas bebidas e comer o que eles preparavam para mim. Ter sucumbido às lisonjas dos egípcios foi para mim grande calamidade. Desfaleci em pofundo estado de esquecimento e, não sabendo mais ser filho de Rei, passei a servir ao seu rei. E assim, esqueci complemente da Pérola, para resgate da qual os meus pais me haviam enviado.
Meus pais, no seu reino logo souberam o que me acontecera e se afligiram por mim. Emitiram então uma proclamação, convocando os grandes do reino para uma reunião, na qual elaboraram um plano para impedir que viesse definhar no Egito. E escreveram-me uma carta e cada um dos grandes a assinou: "De seu pai, o Rei dos Reis, e de tua mãe, a regente do Oriente, e de teu irmão, o vice-rei, para ti, nosso filho no Egito, saudades. Desperta de teu sono profundo e fica alerta à mensagem desta carta. Lembra-te de quem és: descendente de um rei. E vede a quem estás servindo em sombria escravidão. Lembra-te também da Pérola, pela qual descestes ao Egito. Recorda-te da tua veste de glória e do teu esplendido manto, a fim de que volte o momento em que eles possam, novamente, cingir os teus ombros, e, por eles envolvido, teu nome verdadeiro possa ser inscrito no livro dos heróis e te possas enfim tornar, como teu irmão, nosso vice-rei, herdeiro do nosso reino".
A carta era uma mensagem mágica para mim. Meu pai a lacrou de tal modo que ficasse protegida contra os terríveis habitantes das sombrias regiões por onde deveria atravessar antes de chegar à mim. A carta veio sob a forma de uma águia em vôo, rei de todas as aves, até chegar ao meu lado para ouvir sua mensagem. E ao ouvir sua voz, acordei do meu sono, levantei-me, peguei a carta e beijei-a, abri seu lacre e li seu conteúdo. As palavras eram as mesmas que haviam sido inscritas antes em meu coração. Lembrei-me de tudo: ser filho de reis e minha alma, nascida para a liberdade, ansiava por encontrar os seus semelhantes.
E também me lembrei da Pérola, em busca da qual viera para o Egito. Encantei a serpente tonitruante, cantando para ela o nome de meu pai, de meu irmão e de minha mãe, a regente do Oriente. Agarrei, então, a pérola e voltei, para ir ter com meus pais. Retirei os trajes imundos dos habitantes da terra escura e dirigi meus passos na direção da luz de nossa Terra, ao Oriente.
Enquanto prosseguia em meu Caminho, era guiado pela carta que me despertara e, como outorga me estimulara com sua voz, agora também me guiava com a sua luz, brilhando à minha frente. Sua voz me encorajava contra o medo, enquanto seu Amor me fazia prosseguir. Assim, continuei e passei pelas regiões e cidades que ficavam entre a terra do Egito e a minha Terra, o reino do Oriente.

Então, os guardiães dos tesouros reais enviados por meus pais, que por sua fidelidade foram incumbidos dessa missão, trouxeram-me minha esplendida veste, que eu havia tirado, e também o meu manto real. Na verdade, eu não me lembrava mais de sua magnificência, pois fazia muito tempo que os deixara na casa paterna. Mas, de repente, quando os vi sobre mim, essa esplêndida veste de glória me parecia mais e mais com meu próprio reflexo; eu a vi como se fosse meu próprio Ser e a diferença entre ela e mim se desvaneceu então de tal modo que éramos dois em diferenciação, mas UM só em singular união. Mesmo os guardiães dos tesouros que trouxeram minha veste me pareciam agora uma única pessoa, marcados com o selo de majestade de meu pai.

E pude observar melhor a veste, em todo o seu esplendor. Estava enfeitada com cores gloriosas; sobre ela, havia ouro e diversas jóias e suas bordas era de Adamas. A imagem do Rei dos Reis brilhava em toda a veste e nela ondulava os sagrados movimentos da Gnosis. Percebi então que a veste estava prestes a falar comigo, e som de grandes hinos ressoou em meus ouvidos, enquanto ela pousava sobre mim: ‘Eu sou aquele que produziu as ações daquele para quem fui gerado na casa de meu pai'. E percebi como a estatura do meu Ser interior se ampliara segundo suas obras.
A veste se acomodou inteiramente sobre mim com movimentos de realeza e pulou das mãos daqueles que a seguravam, para que pudesse repousar sobre os meus ombros. E eu a amei tanto que corri até ela para recebê-la; estendi meus braços e me cobri com suas gloriosas cores, ficando inteiramente envolto por essa real veste de glória.
“Nela envolvido, subi, então, para os portões da saudação e de adoração. Inclinei minha cabeça e adorei o esplendor de meu pai, que me enviara a veste, cujas ordens eu cumprira e que cumprira comigo o prometido. E no portal de sua nobreza encontrei os grandes do seu reino. E meus pais estavam jubilosos de me receber, pois agora, finalmente, juntara-me a eles em seu reino. E com poderosa e melódica voz todos os seus servos os louvaram, e eles exclamaram que haviam prometido que eu deveria voltar à corte do Rei dos Reis para que, tendo resgatado a Pérola, aparecesse junto com Ele, [o Rei]”...
Extraído de: http://anjosensinosluz.blogspot.com.br/2012/09/cancao-da-perola-antigo-mito-gnostico.html
Hino da Pérola

O Hino da Pérola (também Hymn of the Soul, Hino do Manto de Glória ou Hino de Judas Tomé, o apóstolo) é uma passagem dos apócrifos Atos de Tomé. Nesse trabalho, originalmente escrito em siríaco, o apóstolo Tomé canta o hino enquanto rezava para ele e outros prisioneiros. Alguns estudiosos acreditam que o hino antecede os Atos, pois só aparece em um manuscrito siríaco e um manuscrito grego dos Atos de Tomé. O autor do Hino é desconhecido, embora haja uma crença de que ele foi composto pelo siríaco gnóstico Bardaisan devido a alguns paralelos entre sua vida e a do hino. 
O hino conta a história de um menino ", o filho do rei dos reis", que é enviado para o Egito para recuperar uma pérola de uma serpente. Durante a busca, ele é seduzido por egípcios e se esquece de sua origem e de sua família. No entanto, uma carta é enviada do Rei dos reis para lembrá-lo de seu passado. Quando o menino recebe a carta, ele se lembra de sua missão, recupera a pérola e retorna. Que o menino é implicitamente Tomas, em vez de Jesus é indicado pelo eventual afirmação de que ele é o próximo na linha de seu irmão mais velho, e não este irmão não identificado de outra forma mencionado no texto.
O hino é comumente interpretado como um gnóstico vê a condição humana, que somos espíritos perdidos em um mundo de matéria e esquecidos de nossa verdadeira origem. Este estado de coisas pode ser amenizado por uma mensagem reveladora entregue por um mensageiro, uma função é geralmente atribuída a Jesus. A carta esta assume uma simbólica representação da gnosis.
O hino foi preservado e, especialmente, estimado em maniqueísmo - uma versão dela aparece como parte de um livro Salmo maniqueísta norte-Africano e está escrito em copta, chamado de Salmos de Tomé. O Hino da Pérola também foi admirado por cristãos ortodoxos pensadores.
Inserido nos Atos em diferentes lugares conforme os diferentes manuscritos está um hino siríaco, o Hino da Pérola (ou Hino da Alma), um poema que ganhou enorme popularidade nos círculos cristãos, inclusive os da corrente principal. O Hino é mais antigo que a obra em que foi inserido e vale a pena ser apreciado isoladamente. O texto é interrompido com a poesia de outro hino, o que começa com "Venhais, vosso nome de Cristo que está acima de todos os nomes" (2.27)5 , um tema que foi adotado pelo catolicismo romano no século XIII dC como "Santo Nome".
Trechos extraídos de:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Atos_de_Tom%C3%A9
*****

“Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade. Sente um impulso... é para este lugar que devo ir agora. Mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá, quando se erguer o suficiente para ver além dos horizontes”.
(Richard Bach). [‘Ilusões’, p. 99. Record].

Gostou? Compartilhe esta publicação nas redes sociais

0 comentários:

Postar um comentário